Fake liberado

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Até pouco tempo, a imitação de elementos naturais na decoração, como madeira e pedras, era sinônimo de mau gosto. Agora não é mais! O que tem de cerâmica, porcelanato e PVC imitando madeira e mármore de todos os tipos é de arrepiar qualquer purista que não se reciclou. Até aí, nada de novo. Não é de hoje que os fabricantes tentam reproduzir a matéria prima da natureza. A novidade é a adesão em grande escala de arquitetos e consumidores.
Na última Casa Cor RJ, a funcionária encarregada de dar explicações sobre um espaço encheu-se de orgulho quando afirmou que o piso que eu estava olhando não era de madeira como aparentava, mas de PVC. Na época, eu me perguntei qual seria a vantagem?
A resposta está nas voltas que a tendência dá nesse admirável mundo contemporâneo! No novo conceito de morar, o fake, hoje chamado de “reprodução”, passou de vilão a herói. A razão é simples: graças a ele milhares de árvores deixam de ser derrubadas a todo o momento.
A pressão da sustentabilidade e a dificuldade de se obter madeira certificada que dê conta da demanda têm obrigado o mercado a recorrer à alta tecnologia para recriar o efeito dos materiais “nobres” a partir de outros elementos. Tudo isso porque nós, consumidores, queremos salvar o planeta e, ao mesmo tempo, ter um natural lifestyle. Então, só existe um jeito além da medeira certificada: a cópia fiel.
Como já vimos, em outros posts, estamos deixando a era da ostentação e do luxo e preferindo levar a natureza para casa, justamente porque não temos tempo de conviver com ela nos centros urbanos. O fake surge como recurso para suprir essa necessidade em todo o mundo.

Essa demanda provocou uma verdadeira guinada na aplicação de pisos, porcelanatos, cerâmicas, papéis de parede e tintas. Graças à tecnologia, as imitações estão cada vez mais fiéis, não só aos olhos, mas ao tato também. Dá vontade de tocar, explorar suas texturas, tramas, relevos e ranhuras.

Piso de madeira sintética da Ambienta

Na Morar Mais por Menos de 2009, no Rio, as arquitetas Leila Degenring e Paula Costa utilizaram porcelanato travertino da House Ceramiche (Ref. TCE1080) como revestimento de piso, pois sua aparência é muito próxima a do mármore travertino.

Piso de porcelanato travertino

Piso de porcelanato travertino

Além da fácil colocação e manuntenção, esse revestimento possui um custo consideralvelmente menor do que o da pedra natural.

A linha Marmo Italiano, da Portobello, especializada em revestimentos cerâmicos é inspirada nos mármores italianos antigos não encontrados mais na natureza.

Cerâmica italiana que imita mármore da Portobello

Cerâmica italiana que imita mármore da Portobello

Tem desenho suave e cores neutras em tons de cinza. O polimento especial do esmalte cria um efeito espelhado e uma rica variação de veios no desenho. É uma boa proposta para ambientes elegantes.

Para obter o efeito do ônix, os arquitetos Milton Rocha e Lu Palhares usaram o mármore branco com pintura intercristalina, na Casa Cor do Rio de Janeiro.

Joalheria Casa Cor 2009 por Lou Palhares: piso de marmore branco tingido

Joalheria Casa Cor 2009 por Lou Palhares: piso de mármore branco tingido

WC Masculino Casa Cor 2009 por Milton Rocha: mármore branco tingido

WC Masculino Casa Cor 2009 por Milton Rocha: mármore branco tingido

Já a Ibiza Acabamentos trouxe da Itália a cerâmica On Nice Mosaico, que produz o mesmo efeito.

ônix On Nice Mosaico Ibiza

Ônix On Nice Mosaico Ibiza

O grande diferencial dessa linha é o jogo de luz sobre a superfície que ressalta o efeito reluzente do material.
Além da imitação fiel, os avanços tecnológicos possibilitaram agregar valor aos revestimentos que vão além da aparência, como proteção antibactericida, riscos e antimofo.
O processo de fabricação de ECOWOOD usa como base qualquer tipo de plástico reciclável, ao qual se pode agregar até 40% de fibras vegetais.

Piso de Ecowood

Piso de Ecowood

A substituição é especialmente vantajosa em ambientes hostis à madeira natural, como locais úmidos ou com excessiva exposição ao sol.

Deck feito com madeira sintética Ecowood

Deck feito com madeira sintética Ecowood


Vantagens

• Não empena, não racha e não solta farpas como a madeira natural;
• Apresenta contração e expansão insignificantes sob temperaturas ambientes;
• Não absorve ou retém umidade. É totalmente impermeável.
• Dispensa a aplicação de resinas seladoras e vernizes;
• Resistente à corrosão natural ou química;
• Pode ser lavada com água e sabão;
• Pode ser cortada, aparafusada, pregada, fixada com encaixe, colada com cola;
• Pode ser trabalhada com as mesmas ferramentas aplicadas na madeira natural;
• Pode ser pigmentada, pintada, acrescida de anti UV, anti chama e perfumada;
• É totalmente imune a pragas;

Na Casa Cor do Rio Grande do Sul os arquitetos Sandro Jasnievez e Maria Rita Kops abraçaram este conceito ao utilizarem piso produzido com PVC reciclado na decoração da sala de jantar do evento.

Piso de Ecowwod na Casa Cor RGS 2009

Piso de Ecowwod na Casa Cor RGS 2009

O piso vinílico já imita madeira de demolição com precisão. O resultado é um efeito rústico e chique, sem derrubar nenhuma árvore.

Piso de PVC: imitação fiel da madeira.

Piso de PVC: imitação fiel da madeira

A Incefra desenvolveu o porcelanato Tecnogrés Dry Tech Madeira. Com aparência mais rústica, o produto reproduz padrões naturais da madeira como haya (tons claros), carvalho (tons médios) e nogueira (tons escuros).

Porcelanato Dry Tech da Incefa

Porcelanato Tecnogrés Dry Tech Madeira da Incefa

Porcelanato Tecnogrés Dry Tech Madeira da Incefa

Porcelanato Tecnogrés Dry Tech Madeira da Incefa

Garrafas PET que demorariam cerca de 100 anos para desintegrar passam por um benefeciamento e viram linha nas mãos da designer e tecelã Claudia Araújo.

Tapetes da designer Claudia Araújo

Tapetes da designer Claudia Araújo

Encontrar uma fibra produzida a partir do plástico para substituir o algodão na confecção de tapetes era um trabalho perdido. Sempre ficavam com uma aparência alienígena e pouco confortável.
Com seus tapetes, confeccionados em tear manual, Claudia conseguiu eliminar essa falha. Na linha PET, ela chegou a uma textura muito próxima a dos fios naturais, com uma vantagem: poder usar as peças em áreas molhadas.

Tapetes sintéticos de Claudia Araujo: textura do algodão

Para o escritório de um marchand, a arquiteta Ana Lúcia Jucá usou na parede o revestimento de papel que simula fulgê.

Ana Lúcia Jucá usou papel de parede que simula o fulgê na Casa Cor 2009

Ana Lúcia Jucá usou papel de parede que simula o fulgê na Casa Cor 2009

O arquiteto Fernando Piva também usou papel de parede da Walpaper para reproduzir a textura do fulgê em um projeto de reforma.

Papel de parede da Walpaper reproduz o fulgê: projeto de Fernando Piva

Papel de parede da Walpaper reproduz o fulgê: projeto de Fernando Piva

Até quando o fake vai continuar sendo aceito, é difícil prever. Tudo indica que as “reproduções” vão permanecer em alta por um bom tempo. Pelo menos, até que cresçam as áreas de reflorestamento no país e os responsáveis por elas sigam as normas do FSC (Conselho de Manejo Florestal) para obter o certificado da madeira.

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