Meu lado Alice ou Amelie Poulain

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Meu gosto para decoração pode ser definido como “eclético”. Sou capaz de apreciar os mais variados estilos, desde que estejam em harmonia: do clean ao barroco, do clássico ao moderno, do retrô ao contemporâneo. Gosto também do romântico, do descolado, do rústico, do refinado…  Mas existe um tipo de decoração, de certa forma, inclassificável – talvez esteja aí a razão – que me causa um fascínio intrigante. Outro dia me perguntava o que tanto me atrai nesses ambientes? Será que existe algo em comum entre eles que possa explicar essa sensação?

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Depois de refletir, cheguei à conclusão de que era a grande dose de personalização contida neles que despertava inúmeros sentimentos ligados ao meu imaginário. São ambientes únicos, onde a riqueza de detalhes é a essência.

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Um mundo para se descobrir, repleto de referências históricas afetivas e lúdicas.

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Composto de misturas inéditas, de novos usos para objetos antigos, geralmente herdados ou adquiridos em viagens pelo mundo e, em grande parte, customizados pela própria dona da casa.

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Nessas misturas de estampas e estilos, sempre harmoniosas, nosso olhar é convidado a todo o momento a desvendar cada cantinho.

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Geralmente fazem referências a elementos femininos, tanto da mulher moderna quanto das nossas avós.

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Não ter medo de experimentar é condição fundamental.

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E nesse caldeirão estético, cuidadosamente elaborado, a soma dos ingredientes transmite uma incrível sensação de vida e de aconchego.

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São composições essencialmente mágicas e oníricas. Brincam com nossos sentidos. Não raro nos remetem aos sonhos da infância, vitais para alimentar a nossa vida. Usam e abusam das referências sensoriais e sentimentais,  instrumentos que ajudam a criança a iniciar sua comunicação com o mundo. Segundo Jung, os sonhos e as brincadeiras de criança guardam o tesouro que teremos que resgatar em nossa vida adulta.

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Eu tive o privilégio de ser uma espécie de Amelie Poulain, quando criança. Nos momentos em que brincava sozinha, me entregava a devaneios, fantasias, onde espaços e tempos diferentes coexistiam simultaneamente. Era uma reinvenção constante de tudo o que via pela frente.
Assim como em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, filme de Jean-Pierre Jeunet, mostra o percurso de individuação de uma jovem mulher, ativado pelo encontro mágico e luminoso com o símbolo da criança. Daí a minha forte identificação com esse estilo individual de se decorar. É uma experiência!

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Assim, a casa tem se tornando também um espaço de expressão e arte. Muito mais interessante do que um mero receptor  de estilos prontos e fechados em seus cânones.

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