Daniela Gama Murtha

784
Da série ArquiTeto

A arquiteta conta como satisfez os desejos de uma família com gostos conflitantes ao decorar o quarto de uma jovem.

DanielaAdolescente8

Quem não quer uma casa que reflita a própria personalidade, os desejos, que seja confortável, funcional, bela e aconchegante? Tudo isso e muito mais ao mesmo tempo? Muito poucos. A “permissão” de sonhar e ousar da casa contemporânea nos liberta para fazer uso pleno dos avançados tecnológicos e desafiar as restrições que nos impõem a lei da gravidade e os ditames econômicos. Isso significa liberdade de expressão e busca da felicidade no refúgio do lar.

O filósofo Alain de Botton, estudioso do assunto, afirma que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo. “Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como elas poderiam idealmente ser. O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes”, explica.

Mas como transformar cimento, tijolos, telhas, tinta, etc., num espaço que possa nutrir nossos corpos, corações e mentes? E mais: refletir ao mesmo tempo diversas personalidades de uma casa?
Os arquitetos, engenheiros e designers de interior estão aí para isso. A tendência  da casa  personalizada, da reciclagem e do faça-você-mesmo não eliminam a função deles. Pelo contrário, tornou-a mais imprescindível do que nunca. Bem maior até do que na época em que o conceito de morar era mais universal e estático.

E foi pensando em como os arquitetos fazem para traduzir os anseios do cliente em uma ambientação que se identifique com ele, que percebi o grande desafio desses profissionais que atuam hoje em dia. Além de arquitetos,  precisam exercer a função de psicólogos para entender o que muitos nem mesmo conseguem expressar com palavras. Não é moleza não! Descobri que vários deles já utilizam  a chamada Psicologia Ambiental, – ramo da Psicologia que trata do relacionamento recíproco entre comportamento e ambiente físico, – em seus trabalhos.

Daniela Gama Murtha é uma das arquitetas que lidam com essa necessidade no dia-a-dia da profissão.

Arquiteta Daniela Gama Murtha

Arquiteta Daniela Gama Murtha

“Muitas vezes, os clientes têm algo na cabeça, ou por que viram na casa de alguém ou em fotos,  mas não sabem como inserir aquela idéia na casa deles”, exemplifica. Mais difícil ainda e muito comum é quando é preciso conciliar gostos diferentes entre membros da família. Vira quase uma terapia de grupo.

Ao ter que projetar um quarto para uma adolescente com gosto contemporâneo numa casa predominantemente clássica, Daniela teve que ter muita habilidade para satisfazer as vontades aparentemente antagônicas da filha e dos pais, que não abriam mão nem do lustre do quarto da moça comprado em Veneza.

DanielaAdolescente7

Daniela ouviu bem ambos os lados e, para resolver o impasse, manteve o lustre, mas fez uma bancada branca e clean com uma gaveta de vidro com dupla função: para guardar e expor objetos de uma forma moderna. Nas cores, muito branco com detalhes em rosa.

DanielaAdolescente5

A bancada ganhou dois puffs embutidos, desenhados por ela que, além de ser útil na hora de receber as amigas, é usado como porta-treco e iluminação direcionada para ajudar nos momentos de estudo.

DanielaAdolescente8

Além disso, o quarto recebeu uma cama auxiliar embutida e  fotos em grandes dimensões na perede demarcando o território estilístico da jovem.

DanielaAdolescente4

O armário ganhou espelho, de ponta a ponta, para dar mais amplitude e  ajudar os momentos de vaidade que toda adolescente adora!

DanielaAdolescente10

“O quarto recebeu tudo de mais moderno, mas com um toque clássico e romântico do lustre, das cores e de alguns objetos que os pais tanto queriam”, explica Daniela que conseguiu agradar toda a família.  Atitude mais contemporânea impossível!

Segundo Daniela, o arquiteto de interiores é necessário, mesmo que a pessoa goste de colocar a mão na massa. “Nossas dicas a respeito de padrões, cores, tamanhos, texturas e materiais são fundamentais. Nós somos uma espécie de guia. Tem pessoas, por exemplo, que possuem muitos objetos bonitos, garimpados ou adquiridos ao longo do tempo, mas que dispostos sem equilíbrio podem ficar com cara de museu empoeirado, sem graça e bagunçado. Acho que o profissional pode ajudar também na proporção, na escolha de tecidos e de revestimentos e na mistura de estilos”, conclui.

Como esse papo dá pra lá de metro, vamos continuar abordando o fascinante tema aqui no blog na seção ArquiTeto.
Você que é um deles e tem um case interessante para contribuir com a seção, mande o seu recado para contato@umbrinco.com

Contato com a arquiteta Daniela Murtha:

(21) 78396000
hddaniela@superig.com.br

Share.

About Author

Leave A Reply