Gosto e bom gosto

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“Narciso acha feio o que não é espelho”
(trecho da música Sampa,
de Caetano Veloso)

“Gosto não se discute” é uma máxima que ouvimos sempre. Uma espécie de tabu que ninguém ousa questionar. Mas como os assuntos polêmicos me estimulam, vou tocar nesse tema sim. Cada pessoa tem seu gosto e deve ser livre para expressá-lo como quiser. Ok. E o “bom gosto” se discute? O que diferencia um do outro? Complicou, não é? Espera que tem mais pergunta: ele existe? É o poder aquisitivo que dá esse “dom” a algumas pessoas? Ou seria a cultura? Ou ainda um talento nato?

Posso garantir que, dos três, dinheiro é o único que não gera bom gosto. Exemplos não faltam.  Eu ainda acredito no “bom gosto” e tenho a impressão de que ele nasce de um conjunto de fatores que alia cultura, talento, experiência, curiosidade e pesquisa, entre outros.

Uma pessoa pode ter nascido com talento para o equilíbrio estético, mas se não gostar e não desenvolvê-lo não chegará a ter “bom gosto”. É preciso gostar muito de pensar sobre estética para se perder observando, comparando, decifrando algo que te encanta com tanta beleza, por mais simples que seja.


É preciso apreciar artes plásticas e o design para aprender com os artistas, ter necessidade de visitar exposições com freqüência, como quem precisa do ar que respira. É necerrário ter curiosidade para saber o que está por trás, treinar os sentidos, assim como alguém que apura o paladar.