Hipster: entre o singular e o massificado

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Definir o estilo hipster não é algo muito fácil. Especialmente porque traz em si uma grande contradição.
Hipsters seriam pessoas com estilo próprio, que habitualmente inventam moda, adotando tendências alternativas.
Tudo bem. Mas pesquisando sobre o assunto percebi que, ao mesmo tempo em que eles pretendem ser incomuns e diferentes, usando símbolos exóticos e inusitados, acabam transformando seus ícones em moda, o que contradiz completamente seu espírito antimodismo!

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Examinei diversas listas que continham pelo menos seis ícones “característicos” do estilo que se propõe ser singular.

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Quem já não está cansado de ver na decoração cartazes com a frase “Keep calm and carry on” (ou derivadas), uma cabeça de animal empalhado com chifre ou um unicórnio, skates e bicicletas como adornos, aparelhos de som, geladeiras e máquinas fotográficas vintages, bandeira da Inglaterra, coroa, parede repleta de quadrinhos de qualquer coisa emoldurada, especialmente de filmes antigos ou uma parede de quadro negro?…Isso só para citar alguns.

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Mas a lista é extensa e inclui elementos que integram a decoração contemporânea de um modo geral, como móvel antigo e desgastado, paredes de tijolinho aparente ou cimento queimado, símbolos da cultura pop, entre outros.

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Sei que muitas pessoas se identificam com o estilo. Ótimo! Mas se o que  se busca é uma casa que você ache linda, não são os elementos hipsters que garantirão a beleza. Há composições hipsters belíssimas e outras não.

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No final das contas, a decoração hipster não passa de uma das inúmeras vertentes, que se diz vanguarda, do caldeirão de estilos que compõe o contemporâneo.
E até aí vejo contradição.Não há nada mais anticontemporâneo do que pretender ser vanguarda, não é mesmo?
Para entender melhor o hipster como uma tribo cultural – faz mais sentido – vamos às origens do termo. Deriva de “hip”, adjetivo inglês usado desde a década de 1940 com o significado de “descolado” ou “inovador”, designando os que adotavam o estilo dos negros do jazz (diferente na época).
No início de 2000, a palavra ressurgiu para classificar um grupo de pessoas que combina peças de roupa de estilo moderno e vintage, compondo um look original (tudo a ver com o “contemporâneo”).

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Os hipsters gostam de ouvir Tom Waitts, Bob Dylan e bandas de rock alternativas. Têm preferência por filmes antigos e adoram frequentar brechós, feirinhas, galerias de arte e museus. Mas o que há de tão incomum nisso? Eu, por exemplo, adoro! Isso significa que sou hipster?

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Eles gostam de contrariar as convenções sociais, têm antipatia pela cultura comercial dominante e procuram resgatar as culturas populares locais.
O hipsterismo fetichiza a autenticidade. Outros referem-se aos hipsters como uma mitologia cultural, a cristalização de um estereótipo massificado e mediado para entender, categorizar e “marketizar” o consumidor da cultura indie (tribo alternativa dos que querem  estar fora ods padrões normais e querem fugirar das tendencias).

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Se o hipster é aquele que demonstra gostos, atitudes e opiniões consideradas cool, ou seja, atuais, legais, originais, autênticas, mas que não gostam de ser vistos como cool, e que consideram brega e cafona tudo que é de gosto geral, então, já está mais do que na hora de lançar novos ícones porque os que lançaram já estão mais massificados do que móveis das Casas Bahia.

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Não há nada menos contemporâneo do que ter necessidade de seguir a moda. Hoje temos a liberdade de descobrir nosso próprio estilo, o que acho bem mais legal.
Mas tão contraditório quanto ser hipster, é observar que eles costumam lançar coisas novas, inicialmente bastante criticadas pelos consumidores padrão, que posteriormente acabam por adotar o que tanto criticavam e achavam esquisito.

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Por outro lado, a contradição também faz parte da vida e da estética.

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Querer pertencer a uma ou outra tribo é natural. Ajuda a criar uma identidade. Mas a tribo, de certa forma, aprisiona ao criar estereótipos. Faz o indivíduo adotar aquilo que vem do grupo, em vez de algo que vem de dentro, do interior da sua própria personalidade. Eu particularmente prefiro não pertencer a tribo nenhuma e ter a liberdade de me expressar com elementos de qualquer estilo já classificado ou não. Mas, anyway! O que importa mesmo é se sentir bem no nosso refúgio particular.

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About Author

Este blog é de autoria da decoradora, organizadora de interiores, consultora em decoração e organização, Veronica Fraga, que também é fotógrafa, jornalista e colunista da Revista Rio Arquitetura e Design. Uma pessoa multifacetada e apaixonada por tudo o que é ligado a estética.

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