O ecletismo de Jonathan Adler

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O queridinho dos designer de interiores americanos, Jonathan Adler, é conhecido pelo seu estilo happy chic, que consiste em combinar 95% de estilo clássico com 5% de “feliz”, ou seja, o estilo pessoal de Jonathan (irreverente, bem humorado, ousado, extravagante, colorido e vibrante). Como o clássico é muito abrangente – vai desde as culturas greco-romanas até clássicos do art deco – não é exagero dizer que o estilo dele é bem eclético.
Ao rever o trabalho de Jonathan, comecei a viajar na ideia dos percentuais como forma de definir os inúmeros estilos contemporâneos personalizados.

Jonathan Adler

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Com tantas possibilidades estilísticas à disposição na decoração atual, definir nosso próprio estilo tornou-se imperativo. Neste contexto, em que passado e presente caminham juntos, a liberdade de expressão e a busca de identidade pessoal abrem as portas para sermos ecléticos. Isso significa simplesmente que podemos ser nós mesmos, que não precisamos ficar presos ao estilo de uma ou outra época, nem a escolas fechadas como a Bauhaus foi para o Modernismo. Com tanto tempo de história da civilização, temos tudo isso à disposição para compor como quisermos nossos ambientes. Daí surgiram as famosas misturas contemporâneas! Jonathan é um dos que fazem isso muito bem.

Neste caldeirão de referências, há aos anseios naturais do nosso tempo (presente), o que chamamos de megatendências. Elas refletem o sujeito contemporâneo socialmente e a longo prazo.  Entre elas, identificamos a sustentabilidade, o desejo de se aproximar da natureza, a automação e a busca por uma decoração personalizada.

Isso não está meio contraditório? Passado com presente? Natureza com tecnologia? Antigo com novo? Urbano e natural? Individual e social? Retas e curvas? Rústico e elegante? Orgânico e geométrico? Brutalista e delicado?…Mas é isso mesmo. Não dá para entender o mundo contemporâneo se não levarmos em conta que a contradição é uma característica fundamental. Já ouviram falar que todas as forças da natureza são compostas de contradições?

Jonathan Adler
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Jonathan Adler

Antigamente, não era assim.  Os estilos eram reflexos de cada época e ponto.  Épocas, que atravessavam séculos e uniformizavam a moda, o mobiliário e os adornos. Estilo pessoal, nem pensar! Ao contrário de agora que buscamos a diferenciação para ir ao encontro de nós mesmos (contradição).
Há uma lista enorme de nomes de estilos históricos: clássico, vitoriano, modernista, art deco, art nouveau… uma infinidade! Para passar de um para outro, as sociedades levavam uma “eternidade”!

Esses estilos históricos carregam memórias e já produziram muita beleza! Dá para jogar tudo isso fora? É nessa questão que vive o homem contemporâneo! Ter estilo (próprio) é o novo luxo!

O desejo de nos ver refletidos na decoração também nos leva à apropriação dos estilos do passado que, misturados às megatendências contemporâneas, nos permitem compor espaços personalizados. O mercado não oferece “nosso” estilo pronto. Isso seria impossível. O estilo individual é construído por nós. E o que define o “nosso estilo” é o jeito de nos apropriarmos de elementos do presente e do passado, com os quais nos identificamos, e o percentual de cada estilo que fazem parte da nossa composição.
Em última análise, o sujeito contemporâneo é inevitavelmente eclético. Múltiplo e único (contraditoriamente).

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Jonathan Adler

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Jonathan Adler

Eu, por exemplo, poderia definir o meu como 50% rústico + 20% clássico  + 30% contemporâneo e pessoal. E ele poderia ser batizado de “natural poetry”. Outra pessoa agregar 40% do clássico + 30% do campestre simples + 20 % pessoal. E o nome desse estilo ser shabby chic (já existe)uma vez que deriva de uma mistura de estilos anteriores. Deixando um percentual para você personalizá-lo e para o design contemporâneo, poderíamos dar um novo nome a ele. Desse modo, nunca vai haver uma decoração padronizada.

É como as cores. Elas são limitadas, mas o que um artista pode fazer com elas é infinito e único.

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Jonathan Adler

E já que Jonathan Adler foi a inspiração deste post, que tal nos aprofundarmos um pouco mais no estilo que faz a cabeça de tanta gente e é capaz de agradar diversos tipos de personalidade? Às vezes, a identificação com o estilo de um designer de interiores contemporâneo é tanta, que simplesmente adotamos um estilo já existente. Eu acho o dele um pouco excessivo, às vezes, já em outras  não. Gosto muito quando ele é mais contido.

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Mas entendo esse exagero porque é difícil mesmo abrir mão de tantas referências e coisas lindas que “adoramos”. A beleza está em todo lugar. O acesso à elas está ao alcance de um clique. Ser antenado é ser também bombardeado esteticamente o tempo todo. Escolher o que deixar de levar para casa não é fácil.

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Por outro lado, Jonathan Adler tem um incrível senso de equilíbrio e harmonia. A simetria e o uso das linhas geométricas amenizam o excesso de informação, de cor, de estampas e de objetos.

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Grande parte dos adornos é feita por ele mesmo. Ceramista de mão cheia é famoso por criar peças divertidas. Seu trabalho é vendido numa rede própria de lojas em Nova York, Miami e Londres.

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Jonathan Adler

Uma fonte de inspiração e tanto!

Espera! O post ainda não terminou. Guardei para o fim o famoso Manifesto de Jonathan Adler que, embora tenha sido escrito há cerca de 10 anos, continua atual.

Tentando traduzir:

  • Acreditamos que sua casa deve te fazer feliz.
  • Acreditamos que a mulher sempre tem razão quando se trata de decoração. A não ser que seu marido seja gay.
  • Acreditamos em carboidratos e que se dane as conseqüências.
  • Acreditamos que minimalismo é um saco.
  • Acreditamos que trabalhos manuais melhoram a vida.
  • Acreditamos que os pendões são os brincos da casa.
  • Acreditamos em nossos musos: David Hicks, Alexader Girad, Bonnie Cashin, Hans Coper, Gio Ponti, Andy Warhol, Leroy Neiman, Yves Saint Laurent e Madonna.
  • Acreditamos na elegância inata da combinação de vermelho com marrom.
  • Acreditamos em pouca roupa ou em muita roupa, sempre.
  • Acreditamos em símbolos infantis, como borboletas e corações.
  • Acreditamos que as celebridades têm que pagar o preço total.
  • Acreditamos no “modernismo rústico” de casas de praia com vigas aparentes,  em alimentos crus, em moradias em formas de cúpulas geodésicas.
  • Acreditamos no estilo “Palm Beach”: cadeiras Luis XV, motivos chineses, Lilly Pulitzer, The Breakers.
  • Acreditamos que nossos designs valem prêmios, mesmo que a gente nunca tenha ganhado um.
  • Acreditamos que cachorros deveriam ser permitidos em lojas e restaurantes.
  • Acreditamos em antiguidades como armaduras, sofás Chesterfild usados​​, tapeçarias heráldicas.
  • Acreditamos em ajuda aos artesãos.
  • Acreditamos que você tem que jogar fora seu Blackberry e ir colher algumas amoras de verdade.
  • Acreditamos que as cores não podem se chocar.
  • Acreditamos que você deve quebrar seu indez na sua panela.
  • Acreditamos que nossas luminárias vão fazer você ficar mais jovem e magro.
  • Acreditamos no luxo irreverente.

Quanto estilo!!!

 

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About Author

Este blog é de autoria da decoradora, organizadora de interiores, consultora em decoração e organização, Veronica Fraga, que também é fotógrafa, jornalista e colunista da Revista Rio Arquitetura e Design. Uma pessoa multifacetada e apaixonada por tudo o que é ligado a estética.

2 Comentários

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