Desgastados na decoração

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Reprodução da nova coluna de Veronica Fraga publicada hoje na Revestir.com.br

Outro dia, me dei conta de que adoro ruínas! Tentando entender as razões deste encantamento incomum, percebi que o efeito desgastado também me atraia na decoração. Hoje percebo que o fenômeno não acontece só comigo. É uma forte tendência!

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À primeira vista, parece meio “bizarro”! Mas aprofundando um pouco, podemos ver que é bem compreensível.

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Como essa “estética”, aparentemente improvável, surgiu? Por que caiu no gosto? Há diversas origens. Podemos começar por uma característica do nosso tempo: a velocidade. Ela é avassaladora e destruidora de memórias. As “ruínas”, de uma certa forma, são vestígios desse passado, que tentaram, apagar porque traz consigo as marcas do tempo. É como uma relíquia que fomos buscar e trouxemos intacta do túnel do tempo.

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Quem resiste à vontade de levar para casa uma grade de demolição e transformá-la numa cabeceira de cama que remete a outras épocas?

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Ou uma porta antiga?

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Alguns estilos contemporâneos também contribuíram para esse gosto. O “wabi sabi”, da cultura oriental, que enxerga beleza na imperfeição, o “industrial”, que nos ensinou a ver como podem ser belos os elementos constituintes de uma construção, normalmente escondidos, como os tijolos, o cimento e o aço oxidado. O “shaby chic”, que mistura o rústico do campo com outros elementos nobres do século XIX e também faz questão de mostrar as marcas do tempo.

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São muitas as influências e referências que deram origem a essa tendência. Mas como incorporar o desgaste como elemento decorativo, sem causar  a impressão de um amontoado de “velharia” ou de desleixo?

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Existem alguns truques:

  • Misturá-los com materiais, mobiliário e acessórios novos, com aparência refinada ou design bem moderno e de qualidade. Isso resulta em um contraste no qual um (detonado) valoriza o outro (novíssimo). Deixar claro que foi uma escolha estética;

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  • O acabamento tem que estar sempre impecável;

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Casa Cor Rio 2016 – Andrea Duarte e Anna Malta

Às vezes, só um detalhe, como a pintura descascada da madeira da janela (foto acima), é suficiente para entrar no clima!
Um pedaço da parede com tijolo aparente…

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Um tapete estonado/desbotado…

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Estofados de couro detonados…

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Casa Cor Rio 2016 – Bianca da Hora

  • Inserir elementos nobres ou delicados, que demonstrem capricho na composição. Neste caso, o efeito também atenua os polos do contraste, já que o desgastado é visceral e brutalista;

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  • Compor com obras de arte ou fotografias;

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  • Nunca deixar o desgastado predominar;

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Já se fabrica tudo quanto é tipo de revestimento com efeito detonado, desgastado, descascado, desbotado e enferrujado, confirmando a tendência. O mercado está cheio deles!

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Notem que este revestimento (acima), desenvolvido pela designer Calu Fontes, já foi criado com vestígios do tempo. É o que o torna ainda mais encantador!

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Há materiais, como o aço corten, que simulam o ferrugem, mas não suja.

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Projeto de Gisele Taranto

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A pátina é uma técnica bem usada para deixar um móvel com cara de “pintura desgastada”.

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Uma ideia que adoro é usar certos revestimentos, como azulejos, de forma incompleta. Só em um pedaço da parede ou do piso, mas deixando claro que ficou “inacabado”. Essa técnica é ultra moderna torna o projeto mais barato:

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Sabendo brincar com esses elementos, pode-se obter resultados belíssimos e bem contemporâneos!

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Adoraria ter uma parede como essa (acima). Assim mesmo, com camadas de papel de parede descascadas, evidenciando a retenção dos tempos por meio de rasgos e sobreposições!

Emily Wren Photography

A dose certa do quanto detonada pode ser a decoração, depende o estilo de cada um:

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Mais ideias para te inspirar:

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